Cerzido de Macabéia de Conceição

Obra selecionada para a exposição virtual Clarice Ano 100 (@https://www.instagram.com/p/CIoawx6rFDJ/), organizada pela Diretoria de Cultura e do Instituto de Arte Contemporânea (IAC) da Pró Reitoria de Extensão e Cultura (PROExC) da Universidade Federal de Pernambuco, 2020

Cerzido de Macabéia de Conceição
Bordado livre sobre xilogravura em tecido (linho), aplicado sobre richelieu antigo 
Bordando com Murilo Silva
15,5 x 20,5 cm
2020

Bordado inspirado na reescrita da obra “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, por Conceição Evaristo no texto “Macabéa, Flor de Mulungu”, na época, publicado no livro 'Clarice Lispector. Personagens reescritos', organizado por Mayara Guimarães e Luis Maffei, 2012. Macabéa, personagem incontornável, incisiva, renasce como uma boa nova, nas palavras reescritas de Conceição. Como iríamos imaginar que Macabéa, aquela triste alagoana, 'migrante-com-ar-de-perdida' no Rio de Janeiro, 'tão-pobre-que-só-comia-cachorro-quente', inocente, pisada, com aquela miséria estampada, trazia em si uma mulher cheia de histórias, origens...? Conceição nos revela uma Macabéa cerzideira, parteira e mezinheira... com uma sapiência ancestral. A xilogravura e o bordado, técnicas da arte popular nordestina, “cerzidos” sobre um richelieu antigo, retratam essa mulher, que “tinha mil paninhos, retalhos de vida, para recompor”. Com esse bordado homenageamos a todas as Macabéas, mulheres nordestinas, que migraram e foram invisibilizadas no sudeste brasileiro.

Para realização dessa obra, também nos inspiramos nos livros A Hora da Estrela, de Clarice Lispector (1977); no filme A Hora da Estrela, de Suzana Amaral e na entrevista com Clarice Lispector no programa Panorama, da TV Cultura, 1977.